Não foi a crise, foi caráter: Quando a falência vem da desonestidade

Crise no mercado

O “jeitinho brasileiro” de enganar o cliente e o péssimo atendimento são os verdadeiros culpados pela quebra das empresas.

É muito fácil culpar a alta dos juros, a carga tributária ou a recessão econômica quando as portas de uma empresa se fecham. A narrativa da “vítima do sistema” conforta o ego do gestor. No entanto, se olharmos de perto os bastidores de muitos negócios que quebram no Brasil, o diagnóstico real não está nos relatórios financeiros, mas sim na folha de conduta. A falência, muitas vezes, não vem da crise; vem da falta de caráter e do total desrespeito com quem paga as contas.

Quem nunca achou aquele açougue legal, comprou uma carne maravilhosa na primeira semana, e no terceiro atendimento percebeu que a coisa decaiu brutalmente? E o que falar dos grandes supermercados onde você compra uma bandeja de carne com aparência linda e, ao abrir em casa, sobe aquele cheiro insuportável de podre? A malandragem tenta se esconder atrás de uma embalagem bonita, mas o consumidor não é bobo.

O problema se espalha para todos os setores. Se você precisa consertar algo, o desafio é tentar não ser lesado com defeitos que simplesmente não existem ou que foram plantados de má-fé. A desonestidade assumiu proporções absurdas no mercado: é a oficina que cobra pela troca de uma peça que não tinha defeito nenhum, é o açougue que mistura soja na carne moída para render mais, são os roubos descarados mascarados de taxas e os preços dados “pela cara do cliente” — mudando completamente o valor se você for um dos “amigos” do dono.

Para completar o cenário de autofalência, temos o atendimento. Você entra em um estabelecimento e dá de cara com um funcionário de mau humor ou totalmente sem vontade de trabalhar, reflexo de um patrão negligente que nunca ouve a própria equipe. O cliente fica ali, com o cartão na mão, querendo dar o seu dinheiro para a empresa, e acaba sendo ignorado ou até humilhado, sem entender o motivo de estarem expulsando justamente a pessoa que gera a receita e sustenta o emprego deles.

Nenhuma estratégia de marketing digital, tráfego pago ou fachada bonita consegue salvar um negócio que carrega a desonestidade na sua essência. A ética na administração não é um conceito romântico; é a estratégia de sobrevivência mais lucrativa que existe.

Mas para quem prefere continuar no erro, a desculpa está pronta: é a crise econômica. Nunca foi o mau caráter, o péssimo atendimento, a propaganda enganosa ou as práticas abusivas que expulsam o cliente e fazem a empresa quebrar.